BEM ESTAR ANIMAL.

março 13, 2009 at 2:24 pm Deixe um comentário

I

INDÚSTRIA DA CARNE MALTRATA ANIMAIS.

Hora do almoço. Aquela carne suculenta e cheirosa surge em sua frente e você a degusta prazerosamente. Um hábito normal, algo natural que você aprendeu desde pequeno. Afinal de contas, é como se aquele pedaço de picanha ou aquela coxinha de frango nunca tivesse sido um animal vivo. Porém, antes de estar na sua mesa, ele teve que passar por um intenso processo de dor e sofrimento, desde que nasceu até o momento em que foi abatido.

A indústria da carne surgiu no início do século XX, quando foram criadas as primeiras fazendas de confinamento de animais para o consumo humano. A partir de então, o mercado de carnes cresceu cada vez mais. O maior e mais recente exemplo do poder desse setor foi a compra da companhia americana, Swift, pelo frigorífico brasileiro, Friboi. Com a aquisição, a Friboi passou a ser a maior empresa de carnes do mundo. Nasceu assim um império com capacidade para abater
mais de 47.000 cabeças de gado por dia, cerca de uma a cada dois segundos. Se antes o Brasil já era o maior exportador de carnes do mundo, com faturamento de quatro bilhões de dólares por ano, agora tende a crescer mais. Bom para a economia do país, que já possui mais bois do que pessoas – são cerca de 200 milhões de bovinos – ruim para o meio ambiente, já que mais florestas terão que ser desmatadas para a criação de pastos, como foi o caso da Mata Atlântica e trechos da
Floresta Amazônica, além da quantidade de dejetos dos animais jogados nos lençóis freáticos e nos mares.

Conforme dados do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarne) foram abatidos desde o começo deste ano até março, cerca de 174.999 bovinos e até maio, cerca de suínos 1.006.520 e 177.748.163 aves, somente no Estado do Paraná.

Hoje mais do que nunca o animal se tornou um mero produto, uma máquina de fazer dinheiro. Alguns abatedouros arrancam a pele dos bois ainda vivos, mergulham porcos em tanques de água fervente e maltratam animais vivos para manter as linhas de produção em velocidade constante. O ser humano esqueceu que esses animais também são seres vivos, que também sofrem como nós e merecem respeito.

Segundo o açougueiro Rudinei Navarezi, que trabalhou vários anos em abatedouros, há várias técnicas para matar os animais. O gado bovino, por exemplo, passa por vários estágios, desde o corte dos chifres com um alicate – sem anestesia – até o desnucamento, corte profundo no pescoço para que o animal sangre até morrer. “Enquanto os bois estão na fila para o abate, ficam mugindo muito alto. Eles sentem o cheiro de sangue e vêem os pedaços de carne no corredor. Ficam desesperados e
tentam fugir dando saltos, daí a gente tem que amarrá-los com força”, detalha Navarezi. Durante o processo, os animais ficam muito nervosos e descarregam na corrente sanguínea substâncias tóxicas que permanecem na carne. Rudinei lembra de um caso que o marcou muito: “Eu estava no meio do processo de abate de um boi muito bravo. Ele começou a ficar
muito nervoso, suas veias do pescoço estavam tão saltadas que formavam um nó. Ele não sangrava, então tive que puxar as veias com a mão e fazer mais um corte. Ele sentiu muita dor. Os gritos de sofrimento daquele boi vão ficar pra sempre na minha memória”.

Isso não é o pior. Pesquisas presentes no livro “Libertação animal”, de Peter Singer, mostram que um terço dos bezerros machos é morto imediatamente após o parto, e cerca de 40% deles é criado para o mercado de vitelas. Para produzir as tão famosas carnes de vitela, conhecidas como “baby beef”, os bezerros são separados das mães com apenas uma semana de vida, são presos em pequenos compartimentos, para que não se movimentem e assim não criem músculos, ficam cegos, pois
não tem contato com nenhum tipo de luz, e são alimentados apenas de leite, para que fiquem anêmicos e fracos, assim, sua carne fica bem macia.

No local em que Navarezi trabalhava, havia também porcos, que na opinião dele, tem uma morte mais cruel que a dos bois. “Acho que por termos essa visão de que porcos são sujos, as pessoas não tem tanta pena, mas eles são mortos de um jeito horrível. E reagem bem mais que os bois”, comenta o açougueiro. Ainda filhotes, são cortados os rabos dos porquinhos, as orelhas e os dentes – a sangue frio- além de serem castrados para que engordem rapidamente. O modo de abate é basicamente o mesmo dos bovinos, porém, após o sangramento, os suínos são imersos – ainda vivos – em tanques de água fervente para retirada dos pêlos. Muitos ainda piscam quando chegam à mesa de corte.

Além dos bois e porcos, os frangos também sofrem muito. Desde pequenos, são submetidos a processos cruéis de escolha. Os pintinhos que não se enquadram no padrão exigido pelas granjas são, simplesmente, triturados todos os dias. As granjas de ovos não fazem uso dos pintos machos, que são mortos em câmaras de gás, sufocados em sacos plásticos ou esmagados. Os que passam por essa seleção têm dois terços de seus bicos cortados com uma lâmina quente, causando dor
durante semanas, para não bicarem os outros frangos. As granjas industriais são adaptadas com gaiolas minúsculas e com luz constante para que as aves pensem que é dia e não parem de comer. Muitas delas ficam tão pesadas que não agüentam seu próprio peso e quebram as pernas, tudo isso para que, em apenas sete semanas, estejam prontas para o abate, sendo que normalmente viveriam sete anos.

Tudo isso para alimentar as grandes indústrias e os caprichos humanos.

Questionado sobre qual é a sensação que se tem ao matar tantos animais indefesos, Navarezi declarou: “Hoje tenho vergonha do que já fiz, mas no interior, onde cresci, é a coisa mais normal do mundo. Nascemos sabendo que todos esses bichos vão ser mortos e nem ligamos. A gente se acostuma com as cenas chocantes e as reações de pânico dos animais.
Na hora, a gente só se preocupa em fazer o trabalho bem feito. Mas eu acho um ato de crueldade muito grande, os métodos deveriam ser menos dolorosos”.

O mais impressionante de tudo isso é que continuamos com os mesmos hábitos de sempre, pois não há divulgação suficiente desses maus tratos. Foi pensando nisso que a ambientalista Nina Rosa Jacob criou, em 2000, o Instituto Nina Rosa – Projetos de amor à vida. A ONG divulga o sofrimento imposto a bois, frangos e porcos, tentando mudar o conceito já enraizado em nossa sociedade de que os animais foram feitos para comer. A intenção é valorizar esses animais e melhorar a vida deles, por meio de pesquisas e projetos educacionais. A maior contribuição do instituto foi a elaboração do documentário “A carne é
fraca”, que mostra detalhes desconhecidos pela maioria das pessoas sobre os matadouros e os males causados pela criação de gado à natureza e apresenta dicas sobre como cada pessoa pode fazer a sua parte.

“Os tempos mudam, e o Universo está nos cobrando maior consciência e responsabilidade sobre as implicações que nossas escolhas provocam na existência de outros seres e da própria Terra em que vivemos”, desabafa Nina Rosa.

           O que fazer para mudar?

Na opinião da ambientalista, devemos parar de nos alimentar de outros seres, seguindo a dieta vegetariana. De acordo com a nutricionista Juliana Garcia, não há problema algum em deixar de comer carne. “A maioria das pessoas acha que se não comerem carne ficarão anêmicas, pois faltará proteína no organismo. Ledo engano: nosso organismo necessita de mais ou menos 45 gramas de proteína por dia, o que pode ser adquirido com uma combinação de vegetais”. O vegetariano pode
encontrar a quantidade de proteínas de que precisa em cereais como trigo, centeio e aveia; nas sementes de gergelim, abóbora e girassol; nas leguminosas, como ervilha, feijão e lentilha; em avelãs, castanhas e produtos derivados do leite e, principalmente, nos ovos e em produtos à base de soja, como o tofu, os hambúrgueres vegetais (vegiburguers) e o leite de soja.

Com o crescimento do império das carnes, cabe a cada um fazer a sua parte, alimentando-se de forma consciente e reivindicando novas formas de abate para, se não for possível acabar, pelo menos diminuir o sofrimento brutal contra os animais.

Amanda Ribas,
Estudante de Jornalismo do Centro Universitário Positivo – UnicenP (Curitiba – Paraná)

Fonte: www.guiavegano.com.br

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MERLIM: APRENDENDO COM O MAGO. RESPEITO AOS ANIMAIS.

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