ECKHART TOLLE. “UM NOVO MUNDO”.

julho 29, 2009 at 2:04 pm Deixe um comentário

Trecho de “Um novo mundo” de Eckhart Tolle.

Ao erguer os olhos para o céu claro à noite, você pode compreender com a
maior facilidade uma verdade que é ao mesmo tempo simples e
extraordinariamente profunda. O que é que você vê lá em cima? A Lua, os
planetas, as estrelas, a faixa luninosa da Via Láctea, quem sabe um cometa
ou até mesmo a vizinha Galáxia de Andrômeda a 2 milhões de anos-luz.
Sim, mas simplificando ainda mais, o que você vê? Objetos flutuando no
espaço. Então, o que forma o universo? Objetos e espaço.
Se você não fica sem palavras ao voltar seus olhos para o céu numa noite
clara, então não o está observando de verdade, não está consciente da
totalidade do que há ali. Provavelmente, está focalizando apenas os objetos
e talvez tentando nomeá-los. Caso alguma vez você tenha se maravilhado
ao olhar para o espaço – e talvez até sentido um profundo respeito diante
desse mistério incompreensível -, isso mostra que abandonou por um
momento seu desejo de explicar e rotular e se tornou consciente não só dos
objetos como da profundidade infinita do espaço em si mesmo. Deve ter
permanecido silencioso o bastante em seu interior para notar a vastidão em
que esses mundos incontáveis existem. O sentimento de admiração não
decorre do fato de que há bilhões de mundos ali, mas da profundidade que
contém todos eles.
Não conseguimos ver o espaço, é claro. Também não podemos ouvi-lo,
tocá-lo, nem sentir seu gosto e seu cheiro. Então, como somos capazes de
saber que ele existe? Essa pergunta aparentemente lógica contém um erro
fundamental. A essência do espaço é a imaterialidade, portanto ele não
“existe” no sentido convencional da palavra. Apenas as coisas – formas –
existem. Até mesmo chamá-lo de espaço pode ser enganador porque, ao
nomeá-lo, nós o transformamos num objeto.
Vamos considerar da seguinte maneira: existe algo dentro de nós que tem
afinidade com o espaço, e é por isso que somos capazes de ter consciência
dele. Consciência dele? Isso não é totalmente verdadeiro também porque,
como podemos ter consciência do espaço se não existe nada lá de que
possamos ter consciência?
A resposta é ao mesmo tempo simples e profunda. Quando estamos
conscientes do espaço, não estamos de fato conscientes de nada, a não ser
da consciência em si – do espaço interior da consciência. Por nosso
intermédio, o universo vai se tornando consciente de si mesmo!
Quando o olho não econtra nada para ver, essa imaterialidade é entendida
como espaço. Quando os ouvidos não encontram nada para escutar, essa
imaterialidade é compreendida como silêncio. Quando os sentidos, que
existem para perceber a forma, encontram a ausência da forma, a
consciência sem forma que está por trás da percepção e torna possível toda
percepção, toda experiência, não é mais obscurecida pela forma. Quando
contemplamos as profundezas insondáveis do espaço ou escutamos o
silêncio nas primeiras horas do dia logo após o nascer do Sol, alguma coisa
dentro de nós faz eco a isso como um reconhecimento. Então sentimos a
enorme profundidade do espaço como nossa e sabemos que esse precioso
silêncio que não tem forma é mais essencialmente nós mesmos do que
qualquer das coisas que formam o conteúdo da nossa vida.
Os Upanixades, os antigos textos sagrados da Índia, referem-se a essa
mesma verdade com as seguintes palavras:
O que não pode ser visto pelos olhos, mas por meio do qual os olhos
podem ver, é unicamente Brama, o Espírito, e não o que as pessoas aqui
adoram. O que não pode ser escutado pelos ouvidos, mas por meio do qual
os ouvidos são capazes de ouvir, é unicamente Brama, o Espírito, e não o
que as pessoas aqui adoram… Aquilo que não pode ser compreendido pela
mente, mas por meio da qual a mente consegue pensar, é conhecido
unicamente como Brama, o Espírito, e não o que as pessoas aqui adoram.
Trecho de “Um novo mundo” de Eckhart Tolle, capítulo “No universo
exterior assim como no universo interior”, Editora Sextante, pág 191.

Fonte: www.scribd.com

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